"Estou sentada numa cadeira, contorcendo-me em agonia. Um pequeno demônio está a espetar-me, da-me cabo da cabeça.
Abraxas, ele diz. Eu sou Abraxas. O demônio das mentiras e decepções.
'Então... O que quer saber a respeito das mentiras, minha querida?'
Eu não sou uma mentirosa. Tento levantar-me novamente, e agora estou esfolada, exposta. Dou comigo a gritar.
'Eu digo-te sobre mentiras. Há mentiras brancas e mentiras negras, e muitos tons de mentiras cinzas. Mas algumas mentiras são justificáveis. Mentiras ditas por bondade, mentiras para preservar a dignidade. Mentiras que simplificam a dor. Todos são mentirosos, querida.
Olhe aquilo acontecer. Ela está prestes a contar à amante algo claramente falso. Olhe seus gestos e como elas se tocam íntimamente. Como evitam os olhares e cobrem as suas bocas. Elas lambem os dentes e seguram os queixos. Embelezam suas histórias com detalhes a mais..."